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Esse é um jogo escrito de trás para frente, de um lado para o outro, em zigue zague. E o leitor, como um jogador, pode escolher que caminho tomar nesse labirinto, ou bosque de caminhos que se bifurcam. Nos corredores laterais nossos convidados especiais comentam a partida.
Todos podem escrever, citar e indicar novos caminhos, nessa caixa de surpresas móvel e mutante. Envie suas sugestões através dos comentários abaixo de cada post. Siga os coelhos brancos.
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sexta-feira, 25 de junho de 2010

O Bibliotecário




Não seria a pintura um exercício de leitura?

Livro e pintura não se revestiriam de um mesmo processo?

Ver e ler não teriam um mesmo caminho labiríntico na tela de Arcimboldo?



Em O Bibliotecário (1566) Arcimboldo propõe uma reflexão sobre a leitura. No jogo de alegorias de livros com o espectador, o pintor traz para dentro do quadro metáforas do mundo do livro. É a pintura retratando o ato de ler. Ler, nessa perspectiva, seria um ato além do significante livro, apresentado no primeiro plano da tela.



O Bibliotecário, assim, vale-se do processo que articula a metalinguagem visual. Livros que remetem a livros, palavra que puxa palavra - título que sugere leitura. Os livros alegoricamente sugerem o mundo da leitura e do bibliotecário.



Brincando com significantes “livros”, Arcimboldo reflete sobre a relação


De qualquer forma, acentuam-se a força da leitura e o poder das palavras. A leitura, num primeiro momento, resumiria-se em livros. Com um olhar mais atento e apurado, o protagonista da tela parece apontar do outro lado da cortina, no segundo plano, uma outra proposta de leitura.



Leitura nesse outro momento do olhar, assumiria outro significado - algo mais crítico, labiríntico. A leitura apresentada como travessia ou caminho, busca situar o espectador em seu constante fazer no espaço e no tempo da moldura.

Com essas ações/pinceladas metalingüísticas, o artista faz a relação da leitura com o mundo. O significante “bibliotecário”, título-emblema da tela e duplo do significante “livro” aparece como espécie de espelho, artifício poético que permite reduplicar a função do livro na tela, instaurando-lhe a vertigem do reflexo da leitura, uma mise-en-abyme do próprio ato de ler.
(Barthes, O óbvio e o obtuso)

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