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Esse é um jogo escrito de trás para frente, de um lado para o outro, em zigue zague. E o leitor, como um jogador, pode escolher que caminho tomar nesse labirinto, ou bosque de caminhos que se bifurcam. Nos corredores laterais nossos convidados especiais comentam a partida.
Todos podem escrever, citar e indicar novos caminhos, nessa caixa de surpresas móvel e mutante. Envie suas sugestões através dos comentários abaixo de cada post. Siga os coelhos brancos.
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sexta-feira, 25 de junho de 2010

Contos de fadas


Uma relação com o conto popular como a descrição de Mme d’Aulnoy:

"Despiu-se e entrou no banho. Imediatamente, os pagodes puseram-se a dançar e a tocar os instrumentos: uns tinham tiorbas feitas de uma casca de noz; outros tinham violas feitas de uma casca de amêndoa, pois era preciso proporcionar os instrumentos Segundo o seu tamanho.”

Richard Doyle

As cabeças compostas por Arcimboldo participam assim do conto de fadas: das suas personagens alegóricas, poder-se-ia dizer: uma tinha um cogumelo como lábios, um limão como medalhão, outra tinha uma pequena abóbora como nariz, etc.



Por trás da imagem gira uma narrativa maravilhosa: julgo ouvir Perrault descrever a metamorfose das palavras que saem da boa e da má rapariga, depois que uma e outra encontraram a fada:
da mais nova, em cada frase, são duas rosas, duas pérolas e dois grandes diamantes que saem dos seus lábios,
e da mais velha, são duas víboras e dois sapos.



As partes da linguagem são transmutadas em objetos, da mesma maneira, o que Arcimboldo pinta não são de modo nenhum coisas, antes a descrição falada que um contador maravilhoso daria delas: ilustra o que no fundo já é a cópia, a maneira da linguagem, de uma história surpreendente. (Barthes, O óbvio e o obtuso, p.135)

metamorfoses


Ora, o exercício dessa imaginação mágica não depende apenas da arte, mas também do saber: promover metamorfoses é um ato do conhecimento; todo saber está ligado a uma ordem classificadora; aumentar ou simplesmente mudar o saber é experimentar, por operações audaciosas, o que subverte as classificações do bom senso e do hábito. (Barthes, O óbvio e o obtuso)